Beit Lubavitch Rio
Como posso te ajudar?
Impresso deBeitLubavitchRio.org
ב"ה

Reflexões para o Iom kipúr

Terça-feira, 26 Setembro, 2017 - 6:35

Reflexões para o Iom kipúr
pelo rabino-Chefe da Grã-Bretanha
lord Jonathan sacks

Ser pais judeus

Quero lhes falar a respeito de filhos. Deus abençoou vocês com filhos. Eles são a alegria de nossas e de vossas vidas. Deleitem-se com eles. Dediquem-lhes vosso tempo. Brinquem, joguem, estudem rezem e pratiquem mitsvót com eles. Não há nada melhor em que possam aplicar o tempo de vocês. O amor que lhes dedicarem enquanto eles são jovens
permanecerá com eles por toda a vida. Assim como a luz do sol, isto os fará desabrochar e florir. Ter filhos é muito mais do que receber um presente dos céus. É uma responsabilidade. Para nós, judeus, é a responsabilidade mais sagrada que pode haver. Disto depende o futuro do povo judeu. Nosso povo sobreviveu durante 4.000 anos porque, em cada geração, os judeus
consideraram como mais alta prioridade a transmissão de sua fé aos filhos. Eles santificaram o casamento e consagraram o lar judaico. Construíram escolas e casas de estudo. Fizeram da educação o diálogo entre as gerações. “Estas palavras ensinarás repetidamente a teus filhos,
falando-lhes quando estiveres sentado em tua casa ou quando estiveres no caminho, quando te deitares e quando te levantares.” Eles consideravam o judaísmo da mesma forma que um aristocrata inglês encarava seu lar majestoso: você vive nele, mas não é realmente seu dono. Ele foi entregue a você por teus antepassados e cabe a você entregá-lo às futuras gerações, intacto, preservado e, se possível, embelezado e enaltecido, coisa que fará com dedicação, pois sabe que esta é a tua herança. É o que faz tua família ser especial e diferente das demais. Se você a perder, vender ou permitir que ela se transforme em ruínas, terá praticado um ato de traição.
Isto é o essencial. Em média, atualmente, na Diáspora, de cada dois jovens judeus um decide não se casar com um parceiro judeu e não construir um lar judeu. Desta forma, não têm filhos judeus e não dão continuidade à Historia Judaica. Isto é uma grande tragédia. Sua mãe e eu não dedicamos muito tempo contando a vocês histórias de nossa família. Mas a verdade é que virtualmente, hoje em dia, cada judeu vivo tem uma história mais extraordinária do que qualquer novela ou saga familiar. Ela conta como foram expulsos muitas vezes de um país para outro, perdendo tudo o que tinham construído e recomeçando de novo. Receberam ofertas mirabolantes e lhes foram prometidos toda sorte de agrados para que se convertessem. Mas disseram “não”. Sacrificaram tudo o que possuíam para que seus netos fossem judeus.
E hoje, quando ser judeu praticamente não exige qualquer sacrifício, quando estamos mais livres para praticar nossa fé do que em quaisquer outros tempos, há judeus esquecendo o que significa ter netos judeus. Então, como transmitir nossos valores a vossos filhos? Demonstrando
quanto os amam. Moisés Alshech, um rabino do século XVI, em seu comentário acerca do Shemá, pergunta: “Como ensinamos estas palavras a nossos filhos? Como podemos ter certeza de que aprenderão?” E responde: “A resposta está nos dois versos anteriores desta oração: ‘E
amarás o Eterno, teu Deus, com todo teu coração, com toda tua alma e com todo tua energia’.” Aquilo a que amamos assim eles também amarão. Há muitas razões para as altas taxas de assimilação na vida judaica, mas uma delas é fundamental. Somos os herdeiros de varias gerações de judeus que eram ambivalentes sobre a forma de ser judeu. Não os julgo, nem vocês devem fazê-lo. Entre 1880 e 1930, viveram numa época de grande antissemitismo. Veio então o Holocausto. Quem naqueles dias poderia condenar alguém por dizer o que disse Heinrich Heine: “O judaísmo não é uma religião; é uma desgraça.” 
Mas há muito tempo aqueles dias ficaram para trás. Um dos maiores presentes que podem dar aos seus filhos é deixá-los ver como vocês vivem com orgulho vossa identidade. Sua mãe e eu procuramos mostrar da melhor forma que pudemos que, para nós, o judaísmo é nossa herança, nossa mansão majestosa, o presente que recebemos dos que viveram antes de nós; a maior tentativa em toda a história de criar uma vida de justiça, compaixão e amor, como forma de trazer a Presença Divina dos céus à terra, de modo que ela ilumine nossas vidas com a
tenra radiação da eternidade. Não podemos viver a vida dos nossos filhos. Eles são livres. Farão
suas próprias escolhas. Mas podemos mostrar o que amamos. Se vocês querem ter netos judeus, amem o judaísmo e o vivenciem com um sentimento de alegria e privilégio.
Educação judaica
Matriculem seus filhos em escolas judaicas. Elas são o orgulho da nossa comunidade. São o melhor investimento para assegurar o futuro do judaísmo. Há uma geração muitas vezes eram consideradas como a segunda melhor opção. Era para onde se mandavam os filhos se não se
conseguisse serem admitidos em outros lugares. Hoje, com toda razão são, para muitos, a primeira escolha. Mas, elas são muito mais do que isto. Para os judeus, educação não
se resume ao que sabemos, mas abrange principalmente saber quem você é. Nenhum povo se preocupou mais com a educação. Nossos antepassados foram os primeiros a tornar a educação um mandamento religioso e os primeiros a criar um sistema de educação universal
compulsório – 18 séculos antes da Inglaterra. Os rabinos valorizavam o estudo como algo mais elevado, até mesmo que a oração. Há quase 2000 anos, Josefo escreveu: “Se a qualquer um do nosso povo se perguntar a respeito de nossas leis, ele responderá imediatamente do mesmo
modo como se lhe perguntasse o seu nome. Como resultado de dar uma educação integral de nossas leis desde os primórdios, elas de certa forma ficaram gravadas em nossas almas.”
Os egípcios construíram pirâmides, os gregos, templos, os romanos, anfiteatros, mas os judeus construíram escolas. Eles sabiam que para defender um país era necessário um exército, mas para defender uma civilização é necessário educação. Assim, os judeus se tornaram o povo
cujos heróis eram professores, cujas fortalezas eram escolas e cuja paixão era o estudo e o desenvolvimento da mente. Como poderíamos privar nossos filhos desta herança?
Podem alguém se considerar educado se não conhecer Shakespeare, Mozart e Michelângelo, ou os princípios da física, da economia e da política? Podem vocês se considerar judeus educados sem ter pelo menos uma familiaridade básica com o Tanach, o Talmud, os comentaristas clássicos da Torá, a poesia de Iehudá Halevi, a filosofia de Maimônides
e a historia do povo judeu? Os judeus da Europa Oriental costumavam dizer: “Ser um apicores (herético) é algo compreensível, mas ser um am haárets (ignorante) é imperdoável.”
Meus filhos: espero que lhes tenhamos ensinado o bastante para saberem que o primeiro dever de pais judeus é o de garantir que seus filhos recebam uma educação judaica. Durante quase um século este sistema de valores estava em desordem, porque assim também estava
a vida judaica. Os judeus tiveram de fugir da perseguição – primeiro, na Europa Oriental; depois, na Europa Ocidental e, então, nos paises árabes. Estavam preocupados em reconstruir suas vidas e procurando assegurar que seus filhos se integrassem à sociedade maior. Nestes
tempos, a educação judaica era coisa eventual. Mas agora, não. Embora os padrões ainda estejam muito baixos, começamos a recuperar nossa tradição. O mundo se transforma cada vez mais rapidamente. Atualmente, há mais avanço tecnológico e científico em uma única geração do que em todos os séculos anteriores, desde que os seres humanos pisaram a terra
pela primeira vez. Em territórios ainda não mapeados é necessário uma bússola. De certa forma, o judaísmo é isto. Ele guiou nossos antepassados ao longo de tempos bons e ruins. Deu-lhes identidade, segurança e um senso de direção. Capacitou-os a sobreviver nas mais variadas
circunstâncias e que nenhum outro povo jamais enfrentou. Elevou-os muitas vezes a alturas grandiosas. Por quê? Porque o judaísmo trata do saber. No decorrer de sua trajetória a educação tem mais força do que riqueza, poder ou privilégios. Aqueles que têm conhecimento crescem. “Todos os teus filhos serão ensinados sobre o Eterno”, disse Isaías, “e perfeita será a paz entre eles.” Proporcione a seus filhos uma educação judaica extensa e profunda e, desta forma, lhes estará fornecendo a paz para saber quem e por que são. Há apenas duas coisas mais poderosas do que isso. A primeira, é praticar em casa o que seus filhos aprenderem na escola. Crianças precisam de coerência e consistência pois, do contrario, se sentirão confusas e eventualmente rebeldes. A segunda, permitam que seus filhos sejam seus mestres. À mesa do
Shabat deixem-nos compartilhar com vocês aquilo que aprenderam na escola durante a semana. Vocês ficarão maravilhados com a autoestima que lhes proporcionarão ao permitir que deem algo a vocês.

 

Comentários sobre: Reflexões para o Iom kipúr
Não há comentários.